Avançar para o conteúdo principal

Especialista esclarece principais dúvidas sobre o Mounjaro


Mais uma vez, pacientes que procuram perda de peso assistem o protagonismo das ditas canetas emagrecedoras crescer. O papel principal do momento vai para o Mounjaro, que acabou de ser regularizado para distribuição em farmácias brasileiras e chega ao comércio formal ainda na segunda quinzena de maio. 

Esse fármaco, nome comercial da tirzepatida, tem ganhado popularidade no Brasil como uma nova promessa para a perda de peso rápida, embora sua real atuação seja ligada ao tratamento do diabetes tipo 2. Mesmo assim, provou ser um forte aliado no tratamento contra a obesidade e o público que sofre dessa comorbidade já sabe disso e está atrás de sua eficácia.

“A tirzepatida age imitando hormônios que regulam o apetite e o controle glicêmico, mas pode causar efeitos colaterais como náuseas, vômitos, diarreia e, em casos raros, pancreatite. Não é um produto de emagrecimento milagroso, é um remédio sério com indicações específicas”, afirma o gastroenterologista e cirurgião geral, Dr. Mauro Lúcio Jácome.

Sobretudo, o debate sobre o Monjauro escancara uma realidade preocupante que questiona a medicalização do corpo e a busca por soluções rápidas, muitas vezes sem acompanhamento profissional. “Não digo que o Mounjaro seja ruim, mas seu uso não pode ser discrepante. Até porque, os pacientes ainda não sabem bem do que se trata. O desafio agora é equilibrar o acesso à inovação farmacêutica com responsabilidade e informação de qualidade”, completa o médico.

Para entender um pouco melhor desse remédio, Dr. Mauro Lúcio Jácome atende as dez perguntas mais recorrentes acerca do tema e do uso do medicamento. Veja abaixo:


  1. O que é o Mounjauro?

Jácome: “Mounjauro é o nome comercial da tirzepatida, um medicamento injetável utilizado para tratar diabetes tipo 2. Ele também tem mostrado eficácia significativa na perda de peso.”



  1. Ele funciona mesmo para emagrecimento?

Jácome:

 “Ele é uma espécie de espelho hormonal. Atua nos receptores dos hormônios GLP-1 e GIP, que ajudam a controlar a glicose no sangue e a reduzir o apetite, promovendo saciedade. Oficialmente, ele é aprovado para o tratamento de diabetes tipo 2, mas tem resultados comprovados para o combate à obesidade e pode sim ser indicado para essa finalidade. Porém, jamais recomendo o uso indiscriminado. É necessário o acompanhamento médico para esse e qualquer outro tratamento.”


  1. Qual o valor da medicação?

Jácome: “Essa é uma pergunta complexa de responder porque o valor de qualquer medicamento pode trafegar de acordo com o estabelecimento, promoções por compra e outros fatores. Porém, se pensarmos numa base, o valor das canetas parte de R$ 1.400,00, com 2,5 mg/ml de solução. Porém, essa caneta com uma quantidade de produto menor é usada quase que exclusividade para o tratamento do diabetes. A caneta eficaz mesmo para o tratamento de obesidade precisa de ao menos 7,5mg/ml, com valores passando de R$ 3.800,00.”


  1. Precisa de receita médica para usar Mounjauro?

Jácome: “Sim. Até pouco tempo atrás, na verdade, ele sequer existia no Brasil. Precisava ser importado. Mas, agora, com sua chegada oficial e autorizada, passou a ser exigida a receita para uso.”


  1. Quais são os principais efeitos colaterais?

Jácome: “Os mais comuns incluem náusea, vômito, diarreia, constipação e redução do apetite. Em alguns casos, pode haver efeitos mais graves, como pancreatite. Por isso a necessidade de sempre ter um médico acompanhando o tratamento. Isso é uma coisa séria.”


  1. Existem tratamentos mais eficazes que o Mounjaro?

Jácome: “Essa é uma pergunta complexa. Tão complexa quanto a anatomia humana. Mas é importante que as pessoas saibam que cada tipo de paciente precisa de um tratamento individual. Não existe padrão. O remédio talvez seja mais eficaz para uma pessoa enquanto para outra seja outro tipo de tratamento. Não é possível confirmar essa questão.”


  1. Como é aplicado o Mounjauro?

Jácome: “Trata-se de uma injeção subcutânea, normalmente aplicada ao lado do umbigo. Esse dispositivo é regulado por cliques giratórios que, de acordo com a proporção, injetam as doses adequadas da substância. Sei que parece complexo, mas não é. É bem simples.”


  1. Monjauro substitui dieta e exercícios?

Jácome: “Jamais. Ele complementa o tratamento. Para melhores resultados, é necessário manter uma alimentação equilibrada e atividade física regular.”


  1. Quanto tempo leva para ver resultados?

Jácome: “Algumas pessoas começam a ver resultados nas primeiras semanas, mas a perda de peso significativa costuma ocorrer após alguns meses de uso contínuo.”


  1. O que acontece se parar de usar Mounjauro?

Jácome: “Muitos pacientes relatam ganho de peso após parar, principalmente se não mantiverem os hábitos saudáveis. Por isso, o acompanhamento médico é essencial durante e após o uso. Todavia, essa demanda é muito recente e não existem tantos exemplos a longo prazo para avaliarmos.”

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Por que vale a pena aderir à energia solar residencial

Créditos: Freepik Para uma parcela cada vez maior da população brasileira, as contas de luz vão se tornando coisa do passado, e que não vão deixar nenhuma saudade. A dependência exclusiva de energia elétrica fornecida pelas concessionárias, como a Eletrobras, a Cemig ou a Enel, já há alguns anos perdeu força para grandes oportunidades de economia e até de bons negócios. O acesso aos painéis solares, inclusive residenciais, garantem energia mais limpa, mais econômica e até mais flexível. Isto porque o consumidor não precisa restringir sua estrutura aos quilowatts que lhes são necessários, mas instalar uma quantidade superior à demanda e repassar o excedente a outras instalações em seu nome, CPF ou CNPJ. Essa ideia vem transformando a maneira como os brasileiros se relacionam com este mercado, impactando inclusive os novos projetos imobiliários. Tanto que os sistemas de energia de matriz solar vêm crescendo exponencialmente em todo o país. Atualmente, existem mais de 2 milhões de painéis...

Grupo Casa chega ao mercado com união de três negócios voltados à gestão e serviços para o atendimento condominial e imobiliário

“Desde a década de 60, nossas famílias possuíam dois negócios, uma imobiliária e uma administradora condominial. Sempre soubemos que estes negócios possuíam uma familiaridade muito grande, e que ambos demandam uma alta variedade de serviços e produtos auxiliares para a gestão. Em 2022, começamos a oferecer um serviço necessário para condomínios, emitindo certificados digitais, e foi um sucesso. Foi aí que colocamos a mão na consciência, e diante da nossa extensa expertise no ramo, decidimos criar um grupo integrando os três negócios, com intuito de ampliar a oferta de serviços e gerar sinergia entre os negócios”. Quem conta essa história é Pedro Xavier, engenheiro de produção da UFMG, pós graduado em Gestão de Negócios pela Fundação Dom Cabral, e sócio-proprietário do Grupo CASA. A novidade é que os diretores decidiram unir seus negócios e criar o Grupo Casa, um conglomerado que raia para incorporar serviços que atendam diferentes pessoas, empresas e condomínios de todo Brasil. Além da...

Varejo utiliza cartão de crédito próprio para fidelizar clientes

freepik   Redes varejistas apostam no private label para aumentar vendas e trazer mais clientes às lojas Cartões de crédito emitidos por lojas de redes varejistas têm se mostrado ferramentas eficazes no quesito fidelização do cliente. Isso porque na hora de ir às compras, as pessoas seguem a tendência de priorizar tais estabelecimentos que ofertaram margem de crédito a estes compradores. Ao menos é o que indica um levantamento instituto de pesquisa Locomotiva em parceria com a empresa de tecnologia Dock. Esses cartões próprios do varejo têm um nome e participam de um escopo mercadológico que vem crescendo bravamente no Brasil. Trata-se do private label, um instrumento de crédito, que funciona como um cartão de crédito tradicional, com marca própria e que é aceito na rede de estabelecimentos daquela marca Toda tecnologia e ecossistema envolvidos atrás desses cartões é materializada por uma empresa especializada nesse serviço. É o que explica Édrei Costa, CEO da RPE, empresa brasilei...